Em todos esses anos que desapareci, tenho trabalhado em mim mesmo. Como eu percebo o mundo ao meu redor, como eu permito que ele interaja comigo e como eu respondo aos seus estímulos.
É um trabalho constante, cansativo e interminável, mas nem por isso deixa de ter seus prazeres e satisfações.
Não tenho buscado ser uma pessoa melhor para o mundo, nem para mim mesmo. Não, não eu; de todas as pessoas, você me conhece suficientemente bem para saber que eu não faria isso.
Tenho buscado ser mais eu mesmo. Um dia de cada vez, cada dia um pouco mais. Até que eu não precise mais me esforçar ou sofrer.
Quanto a você, criança, eu te deixei para trás. No primeiro momento, não o fiz porque eu queria, mas porque era necessário - e por muitas noites eu me arrependi. Mas não mais. Porque você não precisa de mim, como eu não preciso de você. E é exatamente por isso que te escrevo.
Depois de todos esses anos, eu finalmente aprendi a me perdoar por tudo o que houve. E, depois de todos esses anos, eu aprendi que não preciso perdoar você.
Essa seria a minha última mensagem para você, mas você provavelmente jamais a receberá.
Rey
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